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Trabalhadores do IFC enfrentam extremistas e garantem assembleia
Publicado por Ascom Sinasefe - Qui, 25 out. 2018 19:14

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Trabalhadores do campus Camboriú-SC, do Instituto Federal Catarinense (IFC), enfrentaram transtornos para grantir a realização de uma assembleia da categoria nesta quarta-feira (24/10). Um grupo de pessoas, dentre elas uma candidata derrotada do PSL à deputada federal, invadiu a atividade dos servidores na tentativa declarada de impedi-la. A postura desrespeitosa e ameaçadora dos invasores levou a direção do campus a chamar a polícia. Em seguida, com a retirada dos invasores, o grupo retomou a assembleia. O SINASEFE repudia toda e qualquer tentativa de cerceamento da liberdade de organização dos trabalhadores em suas respectivas entidades sindicais, denunciando a postura autoritária daqueles que temem o livre debate de ideias no Brasil.


Invasão de assembleia vira caso de polícia em Camboriú-SC

"Viva Pinochet! Viva Pinochet! (Ele) matou quem tinha que matar. Viva Pinochet, porque se ele tivesse feito o que (fez) aqui no Brasil não teria 'isso aí'". Essa foram as palavras de Emilio Dalçoquio Neto, herdeiro de uma das principais transportadoras de cargas do país, durante assembleia do Sinasefe Litoral-SC interrompida por ele e outros elementos na tarde desta quarta no campus Camboriú-SC do IFC. Assista ao vídeo com as agressões.

Passando-se por servidores do Instituto, o grupo se infiltrou na assembleia para, de acordo com publicação nas redes sociais de uma das envolvidas, a ex-candidata à deputada federal pelo PSL Dileta Correa Silva, "interromper a reunião dos comunas".

Para a direção da seção Litoral-SC do SINASEFE, a situação vivida demonstra o momento que o Brasil vive às vésperas do segundo turno das eleições, com o aumento dos casos de intimidação de grupos conservadores contra o direito democrático de reunião e de construção de entidades como os sindicatos.

A seção, enquanto entidade representante dos trabalhadores, registrou junto à Polícia Militar Boletim de Ocorrência detalhando o ocorrido e ainda estuda demais medidas cabíveis no caso. A orientação do Sindicato é de que os servidores presentes na assembleia de ontem registrem Boletins de Ocorrência individuais pela plataforma virtual da PM-SC e que, em caso de uso não autorizado de suas imagens em vídeos realizados pelos invasores, denunciar os mesmos com registro notarial em cartório.


Nota oficial da direção do campus

Na tarde desta quinta, 25, a direção do campus Camboriú-SC lançou nota oficial sobre o caso. Nela, a direção relata brevemente o episódio, explicando as medidas que tomou – a ida até o local da assembleia e a constatação de que os servidores estavam sendo tratados desrespeitosamente pelo grupo de invasores, daí a opção da direção em chamar a Polícia Militar "para registrar os devidos Boletins de Ocorrência (B.O) e iniciar a tomada de providências legais cabíveis".

A direção destaca ainda que o Instituto não interfere nas pautas discutidas nas assembleias do Sinasefe Litoral-SC e que "o caso somente teve a intervenção da direção por conta das agressões verbais e da iminência de problemas de maior proporção".

Afirma que o campus tem em sua missão proporcionar uma educação profissional, comprometida com a formação cidadã, a inclusão social, a inovação e o desenvolvimento regional e com base nessa missão sua direção está "sempre disposta a dialogar, de forma respeitosa, para resolver e mediar discussões que possam acontecer dentro da instituição". Registra ainda o repúdio a toda e qualquer forma de violência, seja verbal ou física e ressalta que o IFC, por intermédio da Procuradoria Federal, irá tomar as medidas legais cabíveis a respeito do caso.


Caçadores de moinhos

Os invasores da reunião desta quarta levantaram suspeitas desconexas da realidade. Sem nenhuma prova do que afirmava, a ex-candidata e, portanto, filiada a um partido político, Dileta Correa afirmou defender uma "escola sem partido".

Disse ainda que o Instituto estaria perseguindo professores identificados com partidos de direita e até que "têm diretores apoiando traficantes e uso de drogas dentro do campus aqui do IFC".

Ela também afirmou que os participantes da assembleia eram contra a Polícia Militar – na verdade, os presentes discutiam a necessidade da criação de um protocolo adequado para a realização de rondas ostensivas da PM, estadual, nas dependências do Instituto, sob jurisdição federal.


Assembleia retomada

Se a invasão protagonizada por Dalçoquio e companhia pretendiam encerrar com a assembleia vale dizer que a ação não funcionou. Após a interrupção provocada pelo grupo, os servidores voltaram a participar da plenária normalmente.


Eleições 2018

Entre as pautas da assembleia estava o debate sobre as eleições que ocorrem no próximo final de semana. A pauta foi definida nacionalmente, e diversas Seções do SINASEFE já realizaram encontros semelhantes em todos os cantos do país.


Contra o autoritarismo

A ação do grupo reforçou a necessidade de combate ao que há de mais retrógrado: o fascismo e sua virulência. A utilização de figuras abjetas como do ditador Augusto Pinochet como exemplos positivos para o país demonstraram, literalmente durante a realização da assembleia, os riscos que a democracia e o pensamento discordante corre nestas eleições.


DCE do campus Camboriú-SC e seção Santa Rosa do Sul-SC repudiam ação e se solidarizam com servidores

Em nota em sua página no Facebook, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) do campus Camboriú-SC do IFC repudiou a ação dos invasores do campus. A nota da entidade afirma que "vivemos tempos de intolerância e ódio, a violência se acentua a cada dia devido a divergências políticas, o que é inadmissível em uma democracia" e que "qualquer medida que assegure a integridade física e moral dos servidores do campus, dos discentes e docentes não é pouca".

Além disso, o DCE se solidarizou com a entidade e com os servidores atingidos pela invasão afirmando que a "luta pela livre organização sindical tem nosso apoio".

Já a diretoria executiva da seção sindical Santa Rosa do Sul-SC enviou à seção Litoral-SC moção em defesa da autonomia sindical e a liberdade de cátedra "que voltam a ser alvos de ataques conservadores e reacionários, desdobramentos da conjuntura política arbitrária que gera um discurso preconceituoso". A nota da entidade afirma ainda que o movimento sindical historicamente se apresentou "em defesa da construção de consensos democráticos, contra o autoritarismo e outras formas de hierarquização" e que "neste momento não será diferente, estaremos atuantes e resistentes, promovendo a discussão e reflexão crítica contra a intolerância social que está sendo constituída".


*Matéria divulgada pelo Sinasefe Litoral-SC

Última atualização em Sex, 26 out. 2018 20:37