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Ensino híbrido no IFRS: Consup aprova retomada de atividades presenciais sem vacina

O Conselho Superior do IFRS (Consup), aprovou, na última sexta-feira (19/02) a realização de atividades presenciais durante a pandemia. Em reunião que durou mais de sete horas, colegiado aprovou a retomada do calendário de maneira híbrida: com a maior parte via ensino remoto, mas com realização de atividades práticas presenciais, reprovando a exigência de imunização para retomada. O SINASEFE reforça sua posição em defesa da vida, destacando o rechaço da categoria às iniciativas inconsequentes de reabrir escolas durante a pandemia, mesmo que ‘parcialmente’.

Unidade na luta e mobilização
Andes-SN (via Sindoif) e SINASEFE lutam juntos contra a retomada de atividades presenciais no IFRS. O Sindoif pautou o tema em seu site, destacando a situação crítica do estado: “Curiosamente no mesmo dia em que o Conselho Superior do IFRS decidiu apartar-se da ciência, o governo do RS indicou tarja preta para as regiões onde ficam os campi do IFRS, como uma única exceção – Rio Grande. As demais 15 cidades que compõem a estrutura do IFRS agora estão na fase crítica de isolamento, inclusive com deliberação de evitar atividades presenciais na educação até o início do mês de março” destacou o sindicato.
A resolução do Consup ignora as considerações das entidades representativas dos trabalhadores feitas desde o início da pandemia, em especial a partir de maio de 2020, quando um Grupo de Trabalho foi criado para analisar a situação. A dirigente do SINASEFE e integrante da direção do Sinasefe Bento Gonçalves, Lissandra Luvizão Lazzarotto, destaca que as entidades sindicais seguem defendendo o retorno presencial apenas após a imunização. “O IFRS está tratando como um ‘retorno remoto’, não trata adequadamente como um retorno híbrido, o que está nítido na resolução publicada. Eles querem sim nos obrigar a retornar de forma híbrida, especialmente pautados nas disciplinas práticas”, comenta Lissandra.
Antes da decisão equivocada do Consup, Lissandra comenta que aconteceram diversas reuniões com gestores e assembleias pautando o tema e reafirmando a importância da imunização anterior à retomada presencial. “Em assembleia no dia 03/02 já pautamos a relevância de uma mobilização contrária ao retorno que ameace a nossa comunidade. Consideramos sim a possibilidade de deflagrar uma greve sanitária, conforme já aprovado pelo SINASEFE nacionalmente” defende.

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Lissandra é integrante da Direção Nacional do SINASEFE e do Sinasefe Bento Gonçalves

Saúde e preservação da vida de todos e todas
Uma das participantes da reunião do Consup, Lisa Siqueira, trabalhou no IFRS e atualmente faz especialização em educação no instituto, representando os discentes do campus Farroupilha no colegiado. Para Lisa, a prioridade no atual momento da pandemia continua sendo a saúde e a vida, mesmo diante das pressões. “Eu entendo a situação de quem está concluindo curso e precisa de prática de laboratório para fazer TCC; de quem precisa do estágio; do desespero dos pais; dos diretores que estão sendo pressionados pela comunidade. Mas, neste momento, a prioridade tem que ser a saúde e a vida. Ontem morreu de COVID-19 uma servidora de Escola Infantil em Estrela. Ela tinha 34 anos, foi contaminada na escola. Em Feliz, tem vários servidores das escolas municipais contaminados, uma servidora grávida internada. As experiências de aulas presenciais em escolas públicas não estão dando certo”, destaca Lisa.

Na imagem acima, as cidades em preto estão com bandeira preta, que indica risco altíssimo de COVID-19 . Os alfinetes indicam os campi do IFRS.

Não é a hora nem de discutir a possibilidade de aula presencial, muito menos de pôr em prática
Comentando a situação preocupante no rio Grande do Sul, a estudante comenta o isolamento, a exaustão e destaca que o retorno de atividade presencial neste momento é uma falta de responsabilidade. “Estamos no pior momento da pandemia, não é a hora nem de discutir a possibilidade de aula presencial, muito menos de pôr em prática. Eu sinto falta das aulas presenciais, do contato com colegas e professores. Sei que os docentes também sentem, que estão exaustos com aulas e reuniões remotas, mas só quem está vivo é capaz de passar por isso, e estamos vivos porque estamos em isolamento. Ainda assim, tivemos vários casos de contaminação da comunidade escolar do IFRS, inclusive com óbitos. Abrir a possibilidade de aula presencial é uma irresponsabilidade” defende a discente.

Opinião dos estudantes
Discentes do campus Farroupilha do IFRS preferem o retorno após a imunização, esse foi o resulta de levantamento realizado pelos estudantes. “Nós fizemos uma pesquisa com os discentes do Campus Farroupilha, onde perguntamos se eles queriam retomar o calendário de forma remota, podendo progredir para presencial somente depois da imunização em níveis seguros pra estudantes e servidores ou se desejavam aulas presenciais, mesmo sem vacinação, seguindo protocolos de segurança. 62,59% responderam que querem a retomada de forma remota e presencial só depois da vacinação” explica Lisa. Ela comentou ainda que a opinião da maioria dos estudantes foi pautada por ela e por outros conselheiros na reunião do Consup, mas que a vontade vencedora foi de uma minoria questionável. “Qual a vontade vencedora? A da minoria. E por quê? Por que é a pressão dos donos do poder político-econômico que sempre se sobrepõe aos reais interesses da população, em todas as instituições. É o mercado controlado pelo capital que determina até a nossa vida e a nossa morte. E o mais triste e lamentável é que até na Educação, onde a ciência e a razão deveriam prevalecer, se dobra aos interesses de grupos minoritários que controlam e sustentam o pensamento hegemônico. E as possíveis vítimas dessa decisão absurda? Quem votou a favor assumiu o risco do resultado, mas todos nós que estávamos lá, votando a favor ou contra, somos responsáveis. É um peso muito grande para quem não brinca com a vida” lamenta.

Lisa Siqueira participa do Consup do IFRS desde 2019

Bolsistas, os estudantes mais vulneráveis
Para Lisa, os dois momentos mais absurdos da reunião do colegiado foram a aceitação de atividades híbridas e a penalização dos estudantes bolsistas. “Alguns deles não estão participando das aulas por força maior, não por vontade própria. Foi a pandemia que impôs essa condição, está para além das forças deles. E há possibilidades legais de se remediar, sem puni-los. Mas, isso nem foi cogitado. Não houve espaço, nem vontade política para resolver o problema pensando no bem dos bolsistas” denuncia a estudante. A reunião completa está disponível no You Tube:

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