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Mães denunciam contaminação generalizada por COVID-19 no Ciaba

Maioria dos alunos apresenta sintomas da COVID-19, mas não foram liberados das aulas, denunciam familiares

Mães de estudantes do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (Ciaba), localizado em Belém-PA e vinculado à Marinha do Brasil, revelaram um cenário de intensa contaminação da COVID-19 na instituição. Segundo relatos, a maioria dos alunos apresenta sintomas característicos da doença. Apesar disso, as aulas não foram suspensas e os estudantes não foram orientados pela Marinha a usarem máscaras de proteção.

“Quase todo mundo na escola está com sintomas. Existem alunos que estão isolados das atividades, mas são poucos. Tem muita gente com perda de olfato, dor no corpo e febre. Tem aluno também que segue frequentando as aulas mesmo com sintomas”, relata uma mãe que preferiu não se identificar.

De acordo com as mães, apenas os alunos que estão em estado grave da doença seguem em isolamento. O resto dos estudantes seguem em aula. Elas contam que o Comando Naval, que coordena as atividades do Ciaba, não se pronunciou formalmente sobre a liberação dos alunos.

“Os estudantes não podem deixar de ir à aula pois podem ser expulsos. Mas eles estão passando mal. Não houve liberação por parte do Comando. Absurdo entregar nossos filhos com saúde e recebê-los provavelmente num caixão”, conta outra mãe, que também preferiu não se identificar.

As mães também criticam o convívio dos alunos com professores vindos de outros estados. De acordo com elas, os profissionais, em contato com os estudantes em sala de aula, podem atuar como vetores da doença.

“Os profissionais que estão vindo dar aulas estão doentes. Os que não estão, podem pegar. Eles não foram obrigados a usar máscara. No ambulatório do quartel, eles disseram que os sintomas são de um vírus, parecido com a COVID-19. Isso é mentira. Eles querem maquiar algo pros estudantes”, conta outra mãe.

Outras denúncias

A luta das mães de alunos pedindo a suspensão de aulas durante a pandemia começou no início do mês de março. Elas citaram que, antes da chegada do vírus no Pará, os estudantes recebiam aulas de professores contaminados e que o Ciaba se negava a liberar os alunos.

Após a denúncia, a OAB-PA solicitou ao Comando do 4ª Distrito Naval a suspensão das aulas no Ciaba. De acordo com a OAB-PA, a paralisação temporária das atividades é a melhor forma de proteger alunos e trabalhadores do contágio da COVID-19.

Na última quinta-feira (23/04), o MPF informou que ajuizou uma Ação Civil Pública para que o Comando do 4º Distrito Naval seja obrigado a suspender, com urgência, as aulas e atividades presenciais do Ciaba. O MPF pede à Justiça que a suspensão dure o tempo do decreto do estado de calamidade pública, protocolado pelo governo do Pará, que proíbe reuniões com mais de dez pessoas.

Situação da cidade

Belém-PA é o epicentro da pandemia no estado e está com mais de 90% das UTIs ocupadas, segundo a Prefeitura. Em todo o Pará, até o momento, 2128 casos da doença foram confirmados, com 114 mortes registradas.

O que alegou o Ciaba?

O Ciaba negou, por meio de nota, que haja casos confirmados da doença na instituição e realizou, no domingo (26/04), uma ação de higienização e desinfecção nos alojamentos dos alunos, salas de aulas, sala dos professores, sala do serviço de orientação educacional, refeitórios, enfermaria e laboratórios.

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*Matéria escrita com informações do G1