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Petição pelo adiamento do calendário do IFB alcança milhares de pessoas: participe!

Mais de mil pessoas já assinaram o abaixo-assinado do Sinasefe Brasília, contra o retorno do calendário acadêmico do IFB, previsto para o dia 03/08. Entre os apoiadores da petição pública, destacam-se personalidades como a ex- procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Déborah Duprat, deputados federais e distritais, como Fábio Félix (PSOL) e Erika Kokay (PT), além de entidades estudantis e trabalhistas, a exemplo da Federação Nacional dos Estudantes no Ensino Técnico (Fenet) e a CUT-DF. 

A petição digital aborda, entre outras questões, a falta de diálogo com a qual o Conselho Superior (Consup) aprovou o retorno do calendário acadêmico, a vulnerabilidade sócio-econômica dos discentes, que atinge mais de 80%, dificultando o acesso a tecnologias digitais e a falta de planejamento e capacitação dos servidores para desempenhar atividades não presenciais. 

Também existe uma grande preocupação com a qualidade do ensino que será ofertado, além da inegável sobrecarga que as servidoras e servidores já estão sendo submetidos, tendo inclusive que arcar, por conta própria, com a aquisição e melhoria de equipamentos e serviços de internet. 

Para o professor Paulo Cabral, a grande adesão e visibilidade do abaixo-assinado deve-se  muito ao descontentamento dos servidores e estudantes com o retorno do calendário. “A comunidade acadêmica está muito insegura e sentindo-se despreparada para lidar com essa medida, que foi tomada de forma autocrática, muito no improviso. As informações que foram publicadas posteriormente, da parte da gestão, não esclarecem pontos importantes sobre esse retorno. Por exemplo, foi informado que haveria inclusão digital, mas não especificam quantas pessoas serão atendidas ou quando. Está claro que as aulas vão começar antes que essas medidas de inclusão sejam concretizadas. Os estudantes estão percebendo que os professores não tiveram tempo nem capacitação para esse retorno e sentem que estão sendo muito prejudicados”, afirma.

Paulo também destaca que a sociedade em geral está acompanhando esse processo e se preocupa com o que está acontecendo no IFB. “Desde o início, essa foi uma causa que sensibilizou muito, conseguimos nomes de peso, organizações trabalhistas, porque é um consenso que o retorno do calendário da forma atropelada que está acontecendo, coloca em risco a educação”.

Sobre a semana de ambientação, que vai até essa sexta-feira (31), o professor Paulo Cabral afirmou que existem muitas incertezas. “Estamos sendo muito questionados pelos estudantes, e com razão. Muitos, mesmo com a necessidade de se formar, estão avaliando se vale a pena continuar os estudos nesse momento. Por outro lado, vemos muitos estudantes e professores querendo dar o melhor de si para que as coisas funcionem. A gente se entristece porque sabemos que não se trata de uma questão individual de mérito de um ou de outro, entendemos que é um processo muito difícil de chegar em um bom resultado”, analisa.

Paulo acredita que o retorno do calendário acadêmico do IFB, da forma que está acontecendo, só vai contribuir para aumentar o desgaste das pessoas, que já estão muito penalizadas com a situação em que vivemos.

“São pais de família que perderam empregos, rendas familiares que diminuíram, estudantes sem poder desempenhar tarefas remuneradas, o Covid chegando cada vez mais perto das pessoas e de suas famílias. Aqui no DF, estamos assistindo um aumento expressivo do número de casos e de mortes, sobretudo nas regiões administrativas que concentram mais pessoas de baixa renda, e onde vivem a maioria dos estudantes do IFB. Os servidores, e especialmente as servidoras, também estão muito sobrecarregadas nesse momento”, conclui. 

A petição pública, que pode ser acessada aqui , foi lançada no último sábado (25) e, no fechamento dessa matéria, contava com quase 6500 visualizações, além de 1061 assinaturas. O documento será enviado ao Conselho Superior (Consup) do IFB.

*Matéria produzida e divulgada pelo Sinasefe Brasília.