Postagem atualizada em 27/06/2025 às 3h01

Na tarde desta quarta-feira (25/05), no município de Limoeiro do Norte, distante 197 Km de Fortaleza-CE, uma cena fora do comum movimentou a cidade: um hotel cercado por dezenas de policiais e seguranças particulares. O motivo do forte aparato de segurança? Impedir a entrada de professoras(es) numa “assembleia” de professoras(es). Você não leu errado, um “sindicato” cercou um hotel, contratou seguranças e chamou a polícia de choque para impedir que professoras e professores participassem de uma reunião.
Denunciada pelo SINASEFE recentemente, em sua 201ª PLENA, a tentativa de fundar sindicatos irregulares é uma prática recorrente do Proifes. No último dia 2 de maio de 2025, a referida entidade tentou avançar com suas estratégias sujas promovendo uma invasão de base em Salvador-BA, mas os trabalhadores da Educação Federal não deixaram isso acontecer. Nesta semana a investida foi no Ceará, denunciada também pelo Sindsifce, seção do SINASEFE.
A professora Lissa Fontenele, que também é integrante da Direção Nacional do SINASEFE, foi uma das professoras impedidas de participar da assembleia policialesca da Adifce. “Mesmo comprovando meu vínculo com a carreira EBTT, fui impedida de entrar no espaço e de participar da assembleia, sem nenhuma explicação. Apenas disseram que meu nome não estava na lista. E que lista é essa? Tudo muito estranho e questionável”, comentou Lissa. Além de Lissa, outras professoras também foram impedidas.
Quem conseguiu adentrar na policialesca reunião não considera que a atividade foi uma assembleia legítima. “Falas não foram concedidas, piadas machistas e homofóbicas foram recorrentes e nem mesmo a leitura de documentos, como estatuto por exemplo, foi realizada”, comentou Cezar Amario (docente do Campus Umirim do IFCE e integrante da CND-SINASEFE). “Trata-se de uma farsa sindical, não há democracia, convocam a assembleia e não aceitam a pluralidade e a participação das docentes e dos docentes?”, questionou.

“O efetivo policial era enorme. A Polícia Militar já estava no local, e logo chegaram batalhões ainda mais ostensivos, como o Raio e o Cotam, com motos, viaturas e armamento pesado, incluindo não apenas gás lacrimogêneo, mas também pistolas e fuzis. Alguns policiais estavam mascarados com balaclavas. Ficou explícito ser uma ação planejada para intimidar e reprimir servidores da educação, tanto docentes quanto técnicos. O ambiente era completamente hostil, desproporcional e desarrazoado. Essa postura autoritária, que coibe o contraditório, está em alinhada com os interesses e práticas de alguns dos que lideraram esse ação e manifestam apoio a figuras como Carla Zambelli”, comentou Lídia Farias (integrante da CNS-SINASEFE).
“Esta foi mais uma investida golpista por parte dessa entidade, que se revela um mero fantoche do governo em exercício, e que, para nós, não gerou qualquer surpresa. Já antevíamos o emprego de tais subterfúgios, inclusive com a mobilização do aparato policial. O que se evidencia é que uma entidade que, já em seu nascedouro, emprega a coerção policial para tolher a participação democrática, sinaliza claramente que seu propósito não é salvaguardar os interesses da classe trabalhadora, mas sim os dos governos que se encontram no poder”, ressalta o coordenador geral do SINASEFE, Francisco Freitas, que esteve em Limoeiro.
Com base territorial nacional, o SINASEFE é o legítimo representante sindical das(os) trabalhadoras(es) que atuam no Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), consequentemente, na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica. Essa legitimidade já foi confirmada em decisão judicial transitada em julgado: o Proifes deve se abster de realizar condutas que denotem atividades sindicais referente à categoria representada pelo SINASEFE, bem como a União Federal se abstenha de realizar com outras entidades negociação coletiva sobre direitos e interesses da categoria representada pelo SINASEFE, inclusive relações obrigacionais decorrentes de período de greve.