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Sindscope-RJ lança Nota Pública à base e à sociedade

O Comando de Mobilização do Sindscope-RJ lançou uma Nota Pública direcionada aos servidores e à sociedade sobre a atenção, os cuidados com a segurança e a discussão a respeito de protocolos a serem construídos para um possível retorno às atividades letivas durante a pandemia da COVID-19.

Confira o documento da nossa seção sindical que representa os trabalhadores do Colégio Pedro II na íntegra:

Nota Pública para ser divulgada para a base e para a comunidade escolar

Entramos no mês de junho, exatamente no meio deste ano de 2020, que, não sem uma certa previdência, avaliávamos que seria um ano com uma travessia difícil, tormentosa, porém a realidade veio nos mostrar que ela seria muito mais imprevisível do que poderíamos imaginar.

Já vivenciávamos uma conjuntura de ameaças de mais ataques aos direitos trabalhistas, democráticos e sociais, além de vivermos uma crise econômica que se apresentava ainda muito longe de seu fim, com um quadro de crescimento esquálido e a permanência de um nível de desemprego e subemprego elevados, quando, não sem aviso, nos defrontamos com a chegada ao Brasil da pandemia da COVID-19 e sua gritante ameaça de doença e morte.

Recém iniciávamos nosso ano letivo e tivemos nossas atividades escolares suspensas por força da necessidade de proteger nossas vidas e evitar a propagação da doença entre nós. A partir daí passamos a experimentar o confinamento, a angústia da contaminação, a descoordenação propositada de um protocolo seguro de defesa da vida, seja pela insistência a partir do Governo Federal de minimização da letalidade do vírus, seja pelo quadro de sucateamento e desarticulação de nosso Sistema Único de Saúde (SUS), seja pela falta de uma política de assistência financeira e social substancial aos setores mais fragilizados de nossa sociedade, seja pela pressão de setores empresariais pela permanência das rotinas de trabalho e por tantos outros elementos que se foram apresentando.

Em nosso âmbito específico estamos todos aflitos em relação a como poderemos retornar e realizar o processo de ensino ainda este ano, se isso será possível, de como dar conta da reorganização dos conteúdos, da carga horária mínima necessária, dos dias letivos, da reorganização dos espaços escolares visto que ainda não temos nenhuma uma medicação segura, nem uma vacina que possa nos tranquilizar em relação a possíveis contaminações de nossos corpos e nossas famílias por essa doença.

Torna-se muito preocupante que, quando a pandemia ainda não dá provas concretas de que está reduzindo sua intensidade (ao contrário, os limitados dados que possuímos mostra que ela ainda não atingiu o seu ápice e posterior declínio) os governos de todas as esferas começam a anunciar o fim de um isolamento social, que desde seu início, em nosso país foi muito precário e aquém das reais necessidades de proteção de todos diante da COVID-19.

Nos vemos agora com a formação de Grupos de Trabalho em nossos campi para discutir protocolos de retorno. Até aí isso não seria um problema, visto que quando mais pudermos acumular de debate e reflexão sobre o tema, com certeza, poderemos retomar nossas atividades de forma mais segura, contudo, quando combinamos essa ação por parte da administração de nossa instituição com as pressões muito objetivas dos executivos municipais, estaduais e federal para a chamada flexibilização do isolamento social, ficamos bastantes preocupados. Muitas indagações surgem em nossas cabeças e precisam de respostas muito límpidas.

Perguntas tais como: nossa instituição tem um levantamento atualizado dos casos de contaminação, internação e óbitos envolvendo o corpo de todos os trabalhadores (servidores e terceirizados) do Colégio? O Colégio tem como levantar quantos alunos habitam as áreas mais vulneráveis de nossa cidade e entorno? O Colégio tem como levantar quantos alunos residem com seus avós e outros parentes e quantas dessas pessoas apresentam alguma comorbidade? Quantas famílias já foram atingidas pela Covid-19 e com quais consequências? Quantos estudantes utilizam os transportes coletivos (ônibus, trens, metros, barcas, vans) para se locomoverem até nossa instituição? Temos algum tipo de contato/coordenação com alguma instituição médico-científica que auxilie na análise da evolução da pandemia em nosso município e no estado?

Somos profissionais conscientes de suas tarefas, de suas obrigações, tanto quanto nossos companheiros da área da saúde, da pesquisa científica, da seguridade social. Queremos retornar e realiza-las da melhor maneira possível, mas queremos realizá-las em paz, com a consciência tranquila de que não estaremos nos expondo e expondo toda a comunidade escolar a um risco que tem como seu limite a morte.

A luta maior neste momento continua sendo pela vida de todos. Toda vida é importante, toda vida importa. E a vida deve ser nossa primeira preocupação ao discutirmos como será nossa convivência quando pudermos retornar com segurança às nossas rotinas de trabalho e estudo.

Rio de Janeiro-RJ, 11 de junho de 2020

Comando de Mobilização do Sindscope-RJ

Download

Baixe aqui a Nota Pública do Sindscope-RJ em formato PDF (tamanho A4, duas páginas).

*Matéria escrita com informações do Comando de Mobilização do Sindscope-RJ

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