Trabalhadores da educação no combate à pandemia: Héber Silva

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Defendendo a vida acima dos lucros, o SINASEFE incentiva a participação das seções sindicais e das instituições da Rede Federal no combate à pandemia de COVID-19. Desde o início de abril, o sindicato lançou uma campanha de solidariedade de classe, estimulando a fabricação de produtos para a proteção de trabalhadores que estão na linha de frente no combate à pandemia e também que ajudem o povo pobre das periferias, favelas e moradores de rua a se proteger da COVID-19 e suas consequências.

Trabalhadores em ação
A campanha do sindicato nacional também prevê a divulgação da participação de trabalhadoras e trabalhadores nas iniciativas solidárias. Iniciamos nesta quinta-feira (07/05) a publicação de uma série de entrevistas para contar um pouco da experiência destes profissionais da educação ao redor do país.

O povo unido é mais forte do que qualquer força opressora do governo”

Héber Silva trabalha com a produção de escudos faciais
Héber Claudius Nunes Silva, tem 34 anos, é professor no Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) – Campus Recife, trabalha na Rede Federal há 10 anos. Ele é engenheiro mecânico, com doutorado em Engenharia Mecânica.

SINASEFE- A pandemia de COVID-19 atingiu os trabalhadores do Brasil de norte a sul. Entretanto, ao mesmo tempo que a doença se espalha, também crescem as iniciativas de estudiosas(os) e trabalhadoras(es) para contribuir com a prevenção, tratamento e possível cura da doença, além de combater seus efeitos. Quando e como você começou a participar das ações neste sentido em seu local de trabalho? Foi uma ação voluntária?

Héber – Esta iniciativa começou em 25 de março de 2020. Partiu de um grupo de professores e estudantes do curso de engenharia mecânica do campus Recife do IFPE. Estudantes e professores que fazem parte de dois grupos de pesquisa do campus. Trabalhamos em dois laboratórios, um chamado SIMUFAB (Simulação e Fabricação Digital) e outro LEMAN (Laboratório de Eletroquímica e materiais Nanoestruturados). Estou como porta voz e coordenador da ação, mas o nosso trabalho é dividido e compartilhado com mais três professores (Angelo Costa, Frederico Duarte e Jacek Michalewicz) e mais 3 estudantes (Fernanda Oliveira, Edilson Silva e Mineu Lins).

Partimos voluntariamente, o campus possuía algumas impressoras 3D e vimos que algumas pessoas estavam fazendo protetores faciais, do tipo Face Shield (Escudos Faciais), e começamos a nos organizar para produzir. Fizemos uma “vaquinha”, junto a servidores, estudantes amigos e compramos material pra produzir aproximadamente 700 protetores. Já produzimos a metade e vamos continuar trabalhando até fabricar os 700. Além disso, já estamos trabalhando para produzir outros tipos de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), inclusive para a própria comunidade do IFPE.

SINASEFE – A produção de EPI, está entre as principais ações desenvolvidas por trabalhadoras(es) para enfrentar a pandemia. É possível contar um pouco a dinâmica destas atividades em seu local de trabalho?

Héber – Estamos trabalhando de segunda a sexta das 9 às 18h, fazendo revezamento entre os participantes do projeto. No máximo dois ou três participantes por dia. Conseguimos material  de higienização e todos os dias fazemos higienização do laboratório. Em seguida, colocamos as impressoras para imprimir as armações dos Face Shield. Um professor corta os acetatos e faz a furação das folhas em sua casa.  Cortamos o elástico nos laboratórios e lixamos as armações. Depois disso, montamos o protetor, higienizamos e colocamos num saco plástico vedado.  Essa é a parte da produção.
As demandas [para distribuição], estamos puxando de um site de uma ONG, chamada E-nable Brasil. Lá, hospitais, unidades de saúde da família, postos de saúde, podem se cadastrar para receber as doações. Nós puxamos as demandas e os contatos deste site. Agendamos a entrega no IFPE. Estamos doando apenas para órgãos públicos! Além disso priorizamos a descentralização, ou seja, as doações são feitas para atingir o maior número de entidades. Sabemos que há locais que não têm condições de comprar, nem adquirir, elas são o nosso foco.

SINASEFE – Trabalhadoras(es) da educação, além de enfrentar a pandemia, lutam contra ataques cotidianos por parte do atual governo: falsas acusações, perseguições, atentados à democracia da Rede e retirada de direitos se acumulam por todo país. Ao participar desta ação num momento tão delicado, seu esforço enquanto trabalhador(a) contribui ainda mais com a sociedade. Qual mensagem gostaria de enviar para nossos leitores?

Héber – Somos servidores públicos. Nossa missão é servir os brasileiros da melhor forma possível. Embora venhamos sofrendo ataques mentirosos, perseguições cheias de más intenções, isso pra mim, funciona como um motivador para trabalhar mais e mostrar ao povo brasileiro que nós não somos o que passa na TV ou nos jornais. Somos maiores que isso! Somos um povo lutador e que vai passar por essa pandemia e por essas adversidades que estão sendo colocadas pelo governo. O povo unido é mais forte do que qualquer força opressora do governo. 

Somos feitos de histórias de lutadoras e lutadores
Você também trabalha na Educação Federal e participa de ações de solidariedade de classe? Gostaria de contar sua história? Escreva para a Assessoria de Comunicação do SINASEFE: comunica.sinasefe@gmail.com

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