Luta: estudantes seguem ocupando Unilab

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Resistindo aos ataques do governo Bolsonaro, estudantes da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) ocuparam diversos campi da instituição nesta segunda quinzena de julho. O protesto denuncia a intervenção do MEC no cancelamento da realização de um processo seletivo para pessoas trans e interssexuais. Das 120 vagas, ociosas mesmo após o término de seleções tradicionais, 69 delas eram no Ceará e 51 na Bahia.

Ocupando as instalações da universidade (campus Liberdade, localizado em Redenção-CE e campus Malês, em São Francisco do Conde-BA), desde a revogação do edital 29/2019, estudantes seguem lutando pelos seus direitos. Em nota publicada na última sexta-feira (26/07), a Ocupação 120transformadas, do campus Liberdade, deixou clara a disposição de luta das pessoas envolvidas na mobilização:

“A ocupação é um ato político de resistência, de luta pelo ingresso, permanência e êxito das/dos estudantes. É por nós e pelos que virão. A ocupação desperta em nós a noção de pertencimento, de que a Unilab é nossa. Sabemos que através da organização e da luta é possível conquistar, dito isto reafirmamos nosso compromisso sem medo, com a certeza de que estamos em busca de uma universidade a serviço do povo. Não vamos arredar o pé, nossos corpos não desocuparão este espaço até que nossos direitos sejam respeitados”.

Participante da ocupação há 12 dias, a estudante de Antropologia Amanda Janice, destaca a importância da solidariedade entre trabalhadores e estudantes. “Principalmente no que diz respeito a fortalecer o debate em prol do projeto Unilab e da educação pública e de qualidade”, reforçou. Integrante da comissão de articulação política da Ocupação, a ativista explicou que está marcada para tarde desta quarta-feira (30/07) uma assembleia geral unificada. “Enviamos uma carta aos docentes e servidores destacando nossa compreensão de que a universidade está ameaçada e é dever de cada um e cada uma de nós defender a continuidade de um projeto inovador que acolhe e integra diversos grupos sociais historicamente marginalizados pelo Estado”. Leia a carta completa:

O DCE da Unilab se posicionou sobre o tema: “Mais uma vez expressamos o repúdio ao cancelamento do edital. não deixaremos que essa massa preconceituosa e separatista retire de nós, mais uma conquista que não é nada mais do que uma reparação histórica, política, social e educacional no nosso país”. Confira nota completa do DCE.

O SINASEFE saúda a luta da comunidade da Unilab em defesa da manutenção do processo seletivo e contra o Future-se. “Diante deste ataque rasteiro, reafirmamos a defesa incondicional do direito das pessoas trans e interssexuais, repudiando a postura retrógrada do governo Bolsonaro ao cercear direitos e atropelar a autonomia universitária” destaca Sônia Regina Adão, da coordenação de Combate às Opressões do SINASEFE.

Além da resistência estudantil, entidades da sociedade civil também se manifestaram diante do retrocesso. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) emitiu nota técnica sobre o tema, destacando a legislação que amparou a realização do processo seletivo (imagens abaixo). A OAB-CE também repudiou o cancelamento do certame.