Bolsonaro quer dizimar a população

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A declaração do presidente Jair Bolsonaro dada ontem (24/03) em cadeia nacional de rádio e televisão repercutiu bastante pelo tom debochado, irresponsável e desonesto de sua mensagem, assim como também pela ignorância demonstrada pelo chefe do nosso Poder Executivo em relação à pandemia do coronavírus e dos seus riscos à vida das pessoas.

Num momento onde quase a totalidade dos chefes de Estado tentam proteger suas populações da pandemia, para que ela não fique fora de controle e potencialize um colapso dos sistemas de saúde e uma dizimação massiva em escala global, Bolsonaro decidiu, por si só, ignorar as autoridades sanitárias e científicas para pedir que os brasileiros entrem na contramão do que o mundo faz hoje, interrompendo o confinamento para o vírus circule entre as pessoas.

Ele chegou a dizer o absurdo de que um vírus mortal e ainda sem cura e sem vacina é letal apenas em idosos, podendo adultos e crianças contrair e retransmitir o mesmo sem maiores problemas, tratando-se apenas de uma “gripezinha” ou de um “resfriadozinho”. E culpou a imprensa do país pela paralisação das cidades brasileiras – sendo que a paralisação de cidades acontece no mundo todo, e por ordem dos governos, não dos meios de comunicação!

A fala dele foi estarrecedora para parlamentares, governadores e prefeitos, que disseram – mais uma vez! – que “Bolsonaro passou de todos os limites”.

O problema desse “limite” que foi rompido é que, em detrimento de seguir insanidades defendidas por meia dúzia de grandes empresários, como Junior Durski (Madeiro), Luciano Hang (Havan) e Roberto Justus (Grupo Newcomm), Bolsonaro pôs em risco de morte todos os 209 milhões de brasileiros, atentando contra a saúde da população e cometendo o mais grave dos seus crimes de responsabilidade – dentre tantos outros que cometeu até agora.

Bolsonaro utiliza como argumento de fundo a “proteção à economia” para pedir que as pessoas voltem a circular e a consumir, enfatizando que isso é necessário para a “manutenção dos empregos”. O que Bolsonaro não diz, por ser desonesto, é que as pessoas que morrerem nesta pandemia, ao fazer o que ele sugere, não precisarão de emprego depois que ela passar; e também não menciona que os especialistas em infectologia defendem o isolamento social (confinamento/quarentena) para este momento em que estamos, como forma de abrandar as vítimas da COVID-19 e os efeitos desta pandemia.

A economia brasileira já estava mal antes da pandemia – o PIB que Paulo Guedes entregou, fazendo a Reforma da Previdência, foi de míseros 1,1%! A economia mundial já estava em desaceleração antes da pandemia – o capitalismo, que vive de crises cíclicas, está entrando em outra crise, assim como entrou em 2008, e a pandemia não é responsável por ela. Ou seja: dizer que depois da pandemia a economia estará em situação ruim é chover no molhado, pois é algo que todos sabem.

Por prioridade, agora devemos salvar as pessoas, preservar a saúde e o bem-estar delas e proteger o máximo de vidas que for possível. Depois de salvar as pessoas e de passada a pandemia, com a descoberta de vacinas e remédios contra a COVID-19, é que entramos na etapa de recuperar a economia. O que Bolsonaro sugere não vai salvar nada: vai deixar milhões doentes, vai colapsar o Sistema Único de Saúde (SUS) e vai tirar inúmeras vidas que poderiam ser poupadas. A economia não vai se levantar com as pessoas ficando doente e tendo que ingressar nos hospitais!

Chegamos a um momento crítico de nossa história: o que o Presidente da República manda o povo brasileiro morrer trabalhando, literalmente.

Vários governadores, prefeitos e secretários de saúde não aderiram ao “chamado” de Bolsonaro e mantiveram os decretos de fechamento de tudo o que não for essencial nos estados e municípios. O Presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (DEM-AP), disse que a declaração é “grave” e que o país “precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população” – tudo o que Bolsonaro não é!

O tema do impeachment, cujo vários processos já chegaram às mãos do Presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a ser citado entre os políticos. Com as ruas desertas, a população voltou a se manifestar das janelas e, pelo 8º dia seguido, realizou panelaços contra Bolsonaro – o da noite de ontem foi, com certeza, o maior até este momento da crise sanitária.

O SINASEFE defende o isolamento social como forma de proteção aos trabalhadores, tendo aprovado na 162ª PLENA que, no período de suspensão das aulas por motivos sanitários, a liberação do comparecimento aos locais de trabalho deve ser para todos os servidores: docentes, técnico-administrativos e terceirizados. Os estudantes devem ter essa mesma dispensa de comparecimento.

Bolsonaro quer o fim do povo. Nós não aceitamos isso. Queremos o povo protegido, para reconstruir esse país após a crise sanitária. Se algo tiver que ter um fim antes dessa pandemia, que seja o governo Bolsonaro.

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